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Apresentados

O trabalho como custo variável e capital descartável

Um homem ou mulher saiem de manhã para o emprego. Antes, a labuta das tarefas domésticas a deixar cumpridas, o arranjar dos filhos, alguns a deslocação para a escola e a odisseia dos transportes públicos. Mesmo que o sol raie em todo o seu brilho, muitos levam às costas problemas por resolver ou contas para pagar. Um empurrão aqui, um ajeita para ali lá se acomodam nos autocarros. Melhor ou pior dormidos têm que estar a horas nos respectivos postos de trabalho. Este mundo que os envolve não se queda à porta do local de trabalho acompanha-os por largos períodos de tempo e agravam a sua disposição laboral.
E será que o ambiente laboral é um meio de colmatar as preocupações que já têm ou ainda as vai agravar? Muitos têm chefias mal preparadas, trabalhos pouco desafiantes e perspectivas de estagnação longas. Quantos não se sentem descartáveis? Recibo verde e contractos mensais. O fim do mês tão ansiado vem com notas de impostos elevados e os montantes brutos quedam-se magrinhos.
É o tempo…

Capitalismo social e novo capitalismo

Para contrariar a instabilidade do capitalismo primitivo e a possibilidade de revoluções, no finais do século XIX, Max Weber transportou a organização militar para o seio das empresas. Criou-se assim uma estrutura piramidal burocrática, a chamada gaiola de ferro, em que cada elemento da empresa sabia o lugar que ocupava, tinha relações de confiança e lealdade para com os patrões, chefes e companheiros de trabalho e perspectivava toda uma carreira dentro da empresa (normalmente até à sua reforma). O horizonte era assim planificável e a sua reforma dentro do sistema assegurada.Não foi o mercado livre que levou a este tipo de organização foi a necessidade de estabilidade e de crescimento das empresas e a maneira como se organizaram internamente. Muitos de nós vivemos, sobretudo nas grandes empresas do país este modelo.O investimento era estratégico e a longo prazo e os accionistas esperavam, sobretudo, lucros estavéis no tempo Era planificável a compra de uma casa.
Hora essa militarismo empresarial foi-se desintegrando com para dar origem ao neocapitalismo, sedento de mercados e de derrubar barreiras comerciais. Com a globalização ou mundialização as relações entre as pessoas passaram a ser transacções como dizia Soros. As produções deslocaram-se para onde eram mais baratos os factores de produção sobretudo o trabalho. Hoje, qualquer empresa de média e sobretudo grande dimensão tem a sua produção na China, a sua central de atendimento na Índia e ao seu departamento de marketing em Londres. A relação entre os seus empregados, evidentemente já não é a mesma, com o subsequente enfraquecimento dos sindicatos. Não é a mesma coisa trocar emails ou falar por Skype. As novas tecnologias aceleraram tudo ao mesmo tempo que reduziam as necessidades em mão de obra não qualificada, para já.
Outro factor, foi a mudança dos accionistas que passaram a preferir os lucros imediatos à estabilidade a longo prazo. Apenas os gestores de topo são excelentemente pagos e a rotatividade nos postos mais elementares foi seguida como norma. Aliás estudos afirmam que empregado novo e a curto prazo muda-se se não está satisfeito e empregado com experiência reclama. A experiência deixa de contar e o que interessa é a capacidade de, constantemente se adaptar a novas situações. A ânsia da novidade é tanta que se investiram milhões em reestruturações de empresas e nas dot.com com muitos fracassos pelo meio. Fundos detentores de grandes meios e de fácil acesso à Banca controlam a economia e os media.  Assim como consequência os políticos tornaram-se produtos de supermercado e dependem dos apois financeiros para se elegerem. Claro que aqueles que mandam não se dispensam do cara a cara e habitam as grandes metrópoles para se relacionarem.
As gerações actuais, nitidamente mais preparadas que as anteriores passam a sofrer da incerteza do futuro e de um tratamento inconcebível há algumas décadas: contractos à semana e despedimentos por email. Assim se criou uma geração que vive com os pais, incapaz de preparar o seu futuro. O fecha aqui e abre acolá, obriga-os também a emigrar e a quebrar os laços familiares, com toda a ansiedade e frustração que geram.
Toda uma gama de novos produtos financeiros é dominada por uma elite, acoplada de políticos que fazem as leis à sua medida. A última crise bancária, inimaginável nos anos sessenta, para gerar lucros fabulosos e imediatos, dados que os países não se prepararam os controlar, antes foram adeptos da desregulamentação, foi gerada pelos próprios grandes gestores com aplicações sem qualquer sentido de investimento, prémios milionários aos gestores de topo e, como é natural, acompanhadas de roubo e corrupção. Claro que se sabia quem ia pagar os disparates: os contribuintes. Os media, não de informação mas de desinformação vão fazendo a cabeça aos pobres cidadãos. Os velhos são considerados excedentários, a riqueza concentra-se cada vez mais, os jovens têm um futuro aleatório e o mundo gira em torno de um ideário de imagem. Não é por acaso que se constróiem ídolos com vencimentos astronómicos enquanto outros vivem com 300 euros por mês. Vende-se o sonho mas a realidade é outra.
Não auguramos nada de bom para esta sociedade egocêntica e longíqua de qualquer valor social.

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