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Apresentados

O trabalho como custo variável e capital descartável

Um homem ou mulher saiem de manhã para o emprego. Antes, a labuta das tarefas domésticas a deixar cumpridas, o arranjar dos filhos, alguns a deslocação para a escola e a odisseia dos transportes públicos. Mesmo que o sol raie em todo o seu brilho, muitos levam às costas problemas por resolver ou contas para pagar. Um empurrão aqui, um ajeita para ali lá se acomodam nos autocarros. Melhor ou pior dormidos têm que estar a horas nos respectivos postos de trabalho. Este mundo que os envolve não se queda à porta do local de trabalho acompanha-os por largos períodos de tempo e agravam a sua disposição laboral.
E será que o ambiente laboral é um meio de colmatar as preocupações que já têm ou ainda as vai agravar? Muitos têm chefias mal preparadas, trabalhos pouco desafiantes e perspectivas de estagnação longas. Quantos não se sentem descartáveis? Recibo verde e contractos mensais. O fim do mês tão ansiado vem com notas de impostos elevados e os montantes brutos quedam-se magrinhos.
É o tempo…

Macron e Marine Le Pen - O risco de abandonar o status quo

A França votou. Descontente com os partidos e políticos tradicionais que se fragmentaram nesta primeira volta das eleições, puseram no topo Macron e Marine le Pen.
O primeiro, liberal e ligado à finança diz-se independente dos partidos, embora tenha atingido funções de relevo no consulado de Hollande e ajudado a definir uma política económica liberal e penalizadora do trabalho. Parece assim ser uma versão condensada dos grupos derrotados, afastando-se para o centro (se isso quer dizer alguma coisa) e mostrando um discurso de progressismo para o país, mesmo de carácter social que até agora nunca demonstrou.Teremos assim um neoliberal financeiro, adepto do establishment europeu.
Marine le Pen, criada na Frente Nacional, fundada pelo seu pai, deputada europeia várias vezes, afasta-se do mesmo e expurga o partido do anti-semitismo e do racismo, modera a linguagem, é anti-establishment, anti-UE e quer a França para os franceses, mudando para moeda própria e abandonando o Euro.
De uma maneira geral, a globalização encontra-se com o nacionalismo em rota de colisão. Não é inocentemente que os media começam já a dar como certa a vitória de Macron (uma nova versão de Hollande?) na defesa do status quo. Significa isto que a UE treme mas é capaz de ainda não cair e se Macron, de facto, vencer veremos a alegria expansiva dos burocratas europeus e seus acólitos nacionais. O banquete pode continuar, a fé do BCE terá mais umas velas e os media dirão que os nacionalismos acabaram pois caiu o papão do regresso ao populismo e mais exageradamente ao fascismo.
Certo é que vivemos tempos de transformação, restando saber quando e como os povos descontentes com a subjugação de Bruxelas encontrarão quem os defenda, libertando-os das grilhetas sem os lançar no fogo. Terrível dilema que não encontra na chamada esquerda do sistema solução como mais uma vez se demonstra pela escolha. Será que este capitalismo selvagem acabará por perceber a desumanidade que pratica e se reconverterá antes das consequências das colisões que aí estão e outras que poderão vir?

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