Avançar para o conteúdo principal

Apresentados

O trabalho como custo variável e capital descartável

Um homem ou mulher saiem de manhã para o emprego. Antes, a labuta das tarefas domésticas a deixar cumpridas, o arranjar dos filhos, alguns a deslocação para a escola e a odisseia dos transportes públicos. Mesmo que o sol raie em todo o seu brilho, muitos levam às costas problemas por resolver ou contas para pagar. Um empurrão aqui, um ajeita para ali lá se acomodam nos autocarros. Melhor ou pior dormidos têm que estar a horas nos respectivos postos de trabalho. Este mundo que os envolve não se queda à porta do local de trabalho acompanha-os por largos períodos de tempo e agravam a sua disposição laboral.
E será que o ambiente laboral é um meio de colmatar as preocupações que já têm ou ainda as vai agravar? Muitos têm chefias mal preparadas, trabalhos pouco desafiantes e perspectivas de estagnação longas. Quantos não se sentem descartáveis? Recibo verde e contractos mensais. O fim do mês tão ansiado vem com notas de impostos elevados e os montantes brutos quedam-se magrinhos.
É o tempo…

Segurança Social, um dilema com muito falso argumento e poucas soluções

Este vídeo é brasileiro da Roda Viva, programa cultural brasileiro mas relaciona-se com o tema em Portugal

De há nos para cá muito se tem falado na necessidade de reformar o sistema de segurança social. O problema não é somente português.
Declarações pomposas e assustadoras, apontam o ano x ou y para a falência total do sistema. O velho argumento do não há dinheiro assusta toda a gente e os jovens temem pelos seus finais de vida ou seja quando deixarem de ser úteis à máquina produtiva. Por um lado, os casais têm cada vez menos filhos dada a instabilidade de emprego ou de obsolescência prematura da utilidade e por outro a esperança média de vida aumentou para além dos 70 anos e de sobrevida para os 84. Estes dois factos servem a muitos para preverem a desgraça. Acontece que os sistemas económicos existentes não têm qualquer ligação com a dignidade do ser humano e não criam ocupação para muita camada jovem. Os jovens estão mais preparados do que anteriormente mas não encontram empregos estáveis ou, simplesmente, não encontram nenhum. Será que o mundo viu todas as suas necessidades satisfeitas em termos de produtos? Claro que não. Basta olhar para os países periféricos da Europa ou mais agravados os países do continente africano ou asiático. Só que a rentabilidade anda mais ligada a meios financeiros e especulações do que a investimentos duradouros.
A tecnologia que se supunha ser o caminho para uma sociedade de "loisir" veio encurtar as necessidades de mão de obra em benefício de uma camada detentora da mesma. As disparidades de salários vieram ajudar a deslocação de produções para regiões mais propícias à semi-escravatura (é só atentar nas notícias de exploração de crianças). Temos assim uma economia desenvolvida em termos agressivos da condição humana e não em benefício das populações. Como consequência a desigualdade de rendimentos acentuou-se de uma maneira inconcebível e a miséria escondida ou  bem visível nota-se por todo o lado, malgrado a difusão de intenções paternalistas ou caritativas para engrandecer moralmente algumas marcas de produtos. É fácil dar o que já se retirou anteriormente por diversos processos.
Numa época de obsolescência programada, onde os desperdícios são mais do que muitos para manter a sociedade das aparências ( existo se o meu vizinho me vê usando um carro de 7 lugares, um relógio de milhares de euros ou um telemóvel que sai regularmente com novos modelos) naturalmente que o que é velho deixa de ter valor, nomeadamente o homem ou mulher de 50 anos que perdeu o emprego.
Na ânsia do novo, muitas empresas empurraram elementos válidos acima dos 50 anos para a reforma antecipada e substituiram por novos com pouca experiência ou nenhuma (em contradição com o alarme pela segurança social). Isto conduziu a uma interrupção do caudal normal de renovação (desejável, sem dúvida) e também a muita incompetência. Diga-se que os únicos que nunca envelhecem são os poderosos.
Todo o orçamento que contemple regalias sociais é considerado exagerado mas não são consideradas exageradas as despesas com auto-estradas duplicadas, desvios de bancos e naturalmente a compra de submarinos atómicos que ninguém percebe para que servem. Claro, defendem-se
com a importância de participar em estratégias globais para as quais não contamos para nada. Pasme-se que uma última grande medida foi conceder a reforma por inteiro a partir dos 60 anos a quem tenha contribuído 48 (60-48=12!!!).
No meio disto tudo, os reformados e pensionistas vão jogando a sueca, vendo telenovelas e futebóis e esperando, passivamente, a sua altura de deixar de afligir os excelentíssimos governantes.
Haverá solução para a segurança social? Claro que há. Deixem de destruir o aparelho produtivo nacional (indústria, pesca e agricultura), deixem de investir no supérfluo e tributem mais equitativamente.
É da mais elementar posição defender os direitos dos que deixaram pelo seu trabalho algo onde os outros se inserem agora. Basta considerar o factor dignidade e saber gerir.
Querem causas? Elas estão ao alcance do olhar de todos. Terminem com os discursos inflamatórios e comecem a ter uma estratégia económica para o país tanto no plano económico como no plano da redistribuição. Os que assim não procedem não honram os seus ascendentes, a nossa história nem
mostram a sua capacidade de liderança.
.

Comentários

  1. Gostei e lembrei-me de algo que tinha lido.
    Aqui vai. Abraço

    http://www.eugeniorosa.com/default.aspx?Page=1037

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares