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Apresentados

O trabalho como custo variável e capital descartável

Um homem ou mulher saiem de manhã para o emprego. Antes, a labuta das tarefas domésticas a deixar cumpridas, o arranjar dos filhos, alguns a deslocação para a escola e a odisseia dos transportes públicos. Mesmo que o sol raie em todo o seu brilho, muitos levam às costas problemas por resolver ou contas para pagar. Um empurrão aqui, um ajeita para ali lá se acomodam nos autocarros. Melhor ou pior dormidos têm que estar a horas nos respectivos postos de trabalho. Este mundo que os envolve não se queda à porta do local de trabalho acompanha-os por largos períodos de tempo e agravam a sua disposição laboral.
E será que o ambiente laboral é um meio de colmatar as preocupações que já têm ou ainda as vai agravar? Muitos têm chefias mal preparadas, trabalhos pouco desafiantes e perspectivas de estagnação longas. Quantos não se sentem descartáveis? Recibo verde e contractos mensais. O fim do mês tão ansiado vem com notas de impostos elevados e os montantes brutos quedam-se magrinhos.
É o tempo…

Um 25 de Abril por cumprir

Mais um 25 de Abril que como sempre teve o seu cerimonial político e a sua demonstração de aderência através do uso de cravos.
Não discutindo a importância da data que significou a esperança do povo português na libertação de um regime conservador e desfasado da realidade internacional do momento, não podemos deixar de notar que embora a liberdade de expressão seja fundamental, ela não se esgota apenas no uso da palavra oral ou escrita livremente. A liberdade pressupõe também todo oa acesso a uma série de direitos que vão desde o direito à dignidade, à satisfação das necessidades básicas, ao direito à educação e saúde, a uma sã convivência entre os cidadãos e a serem representados por políticos honestos que façam da causa pública, competentemente, o seu objectivo de vida, subordinados a valores e à cultura dos seu povo.
Foram as esperanças do 25 de Abril concretizadas? Muito longe disso. Tão pouco estão a caminho.
Depois de um período eufórico onde todos se "irmanaram" nesses desígnios, julgando que a igualdade tinha caído do céu, assistiu-se ao começo das divisões (natural), a saneamentos selvagens, a ocupação de casas, a assalto de empresas e à classificação de reaccionário a todo aquele que não alinhase nas teorias da revolução a todo o custo e da ilusão de uma república sovietizada. As profissões de fé eram mais do que muitas e fomos assistindo à variação de 360 graus do posicionamento político. Foi assim uma revolução desordenada e que durante algum tempo obrigou a fugas do país, nacionalizações precipitadas e naturalmente a reacção não se fez esperar, em nome da tranquilidade. Divisões entre os militares levaram ao seu  aproveitamento pelas forças políticas e terminaram com o sonho. Instalada uma democracia formal (o povo manda de quatro ou de cinco em cinco anos pelo uso do voto) a deriva atingiu a sua plenitude com a adesão à UE, a ditadura das maiorias absolutas, a adesão a neoliberalismo, a perda de soberania e a entrega de todos os sectores estratégicos a interesses estrangeiros.
Os partidos resolveram tirar partido do poder em proveito próprio dos seus filiados, a corrupção incrementou-se, os subsídios da UE passaram ao lado do interesse público, a incompetência subiu ao cimo da pirâmide e os lugares na administração pública são sobretudo para amigos do mesmo partido ou mesmo de outro. Saindo do poder, muitos agasam-lhe em empresas onde deram uns jeitos.
Mais ou menos, tudo que era político honesto foi marginalizado.
Caídos na última crise mundial, políticos subservientes resolveram os problemas "sangrando" velhos, jovens, vendendo património nacional,  serviços essenciais e ajoelham-se perante o Deus euro e sua igreja o BCE.
Parece-nos que os cravos de hoje estão murchos e que muitos deveriam levar na lapela tulipas.
De referir que grande parte dos militares de Abril foram marginalizados há muito, perseguidos nas suas carreiras e passados de carreiras operacionais a serviços administrativos.

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